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terça-feira, 15 de março de 2016

DELAÇÃO DE DELCÍDIO: Aécio Neves recebia propina de Furnas e interferiu na CPI dos Correios


O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, foi novamente apontado como um dos beneficiários do esquema de corrupção de Furnas, subsidiária da Eletrobras, na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) homologada nesta terça-feira (15) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome do tucano já havia sido citado na delação do doleiro Alberto Yousseff, referência que “tem fundamento”, segundo Delcídio. Em fevereiro deste ano, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, da Lava jato, o lobista Fernando Moura também disse que Aécio recebia um terço do total das propinas.

Na delação, Delcídio relata uma conversa que teve após 2002 com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o político falou sobre pedidos do PP, do PSDB e do PT para manter Dimas Toledo na diretoria de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas.

“Delcídio, quem é esse cara?”, perguntou Lula. “É um profissional do setor elétrico. Por que o senhor me pergunta isso?”, estranhou Delcídio.

“É porque o [José] Janene veio me pedir pela permanência dele, depois o Aécio e até o PT, que era contra, já virou a favor da permanência dele. Deve estar roubando muito!”, respondeu o ex-presidente.

CPI dos Correios

Na delação também consta que Aécio Neves interferiu na CPI dos Correios, que investigou o mensalão e foi presidida por Delcídio do Amaral durante o primeiro mandato de Lula.

O senador contou que, com o pedido de quebra do sigilo fiscal do Banco Rural, começou a “surgir um certo incômodo por parte do PSBD”, inclusive de Aécio Neves.

O politico mineiro teria enviado o então secretário-geral do PSDB, Eduardo Paes, para pedir a Delcídio que os prazos de entregas dos sigilos fosse prorrogados. Mais tarde, o delator ficou sabendo através do próprio Aécio Neves que os dados tinham sido maquiados, com registros de transações apagados.

“… os dados atingiriam em cheio as pessoas de Aécio Neves e Clésio Andrade, governador e vice-governador de Minas Gerais”, diz um trecho da delação.

Delcídio disse que compreendeu a existência da maquiagem pelo fato de que a “gênese do mensalão teria ocorrido em Minas Gerais” e que “não tomou nenhuma providencia ao saber que os dados estavam maquiados, ou seja, segurou a bronca”.

Fundação em paraíso fiscal

Delcídio do Amaral também contou que ouviu de José Janene, ex-líder do PP na Câmara, morto em 2010, que Aécio Neves era beneficiario de uma fundação sediada em um paraíso fiscal, da qual seria dono ou controlador.

Aparentemente, a fundação era sediada em Liechtenstein e estaria no nome do próprio Aécio ou de sua mãe.

A operação financeira teria sido estruturada por um doleiro do Rio de Janeiro, mas Delcídio não soube afirmar se há relação entre a fundação e o mensalão mineiro ou a maquiagem do Banco Rural.

Aécio nega acusações

Em nota publicada no Facebook, o senador Aécio Neves, rebateu as acusações. “São citações mentirosas que não se sustentam na realidade e se referem apenas a ‘ouvir dizer’ de terceiros”, escreveu.

Sobre Furnas, o presidente do PSDB disse que que Delcídio “repete o que vem sendo amplamente disseminado há anos pelo PT que tenta criar falsas acusações envolvendo nomes da oposição”.

Para o senador tucano, é “curioso observar a contradição na fala do delator já que ao mesmo tempo em que ele diz que a lista de Furnas é falsa, afirma que houve recursos destinados a políticos”.

Aécio também negou as referências da delação  a respeito de seu envolvimento com o Banco Rural no contexto da CPMI dos Correios.

“O senador jamais tratou com o delator Delcídio de nenhum assunto referente à CPMI dos Correios. Também jamais pediu a ninguém que o fizesse e nunca manteve qualquer relação com o Banco Rural, teve conta corrente na instituição ou solicitou empréstimos”, garantiu.

Em relação à suposta fundação no exterior, o tucano disse que o assunto já foi legalmente superado. “Trata-se de assunto requentado já amplamente divulgado nas redes petistas na internet e, inclusive, já investigado e arquivado pela Justiça e pelo Ministério Público Federal há vários anos.”

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