Radio Planeta Rei

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

João Paulo critica presidente do STF e afirma que pensou em se matar

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) concede entrevista aos jornalistas Fernando Rodrigues e Mônica Bergamo
Deputado Federal João Paulo Cunha do PT
Em alguns momentos quando ficou claro que seria condenado no julgamento do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) pensou em cometer suicídio. "Todo mundo pensa como saída a morte", diz ele.

"Chorei muitas vezes", relata o petista, que diz não considerar justa a pena que recebeu de 9 anos e 4 meses de prisão. Pretende recorrer até quando possível para não ir preso e manter o mandato na Câmara. Não renunciará.

João Paulo concedeu entrevista ao "Poder e Política", projeto da Folha e do UOL, nesta terça-feira (11) em sua casa, em Osasco, na Grande São Paulo. Foi sua primeira entrevista formal depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Apesar do momento de angústia, o petista de 54 anos não demonstra desânimo agora.

Diz estar confiante sobre alguma redução da pena na fase dos recursos do processo -algo improvável. Fez duras críticas ao STF. Uma delas, contra Joaquim Barbosa, presidente da Corte:
"O ministro Joaquim Barbosa, no meu caso, não é que ele não teve prova. Eu produzi prova que me absolvia. E ele foi contra as provas. A ponto de, nos últimos dias, não só ter ido contra as provas, como tem sido irresponsável. De ter dito coisas, que não estão nos autos, da sua boca. O juiz não pode dizer quando não tem prova".

Informado da declaração de Cunha, Joaquim Barbosa preferiu não se manifestar.

Meticuloso, João Paulo diz ter cronometrado os minutos que reportagens da TV Globo dedicaram ao caso do mensalão. Pelas suas contas, em agosto, foram cinco horas. "Só no meu caso, uma hora e 15 minutos. Não há juiz que resista à uma pressão dessa."

A mídia, segundo o ex-presidente da Câmara no biênio 2003-04, não se contentaria em ver alguns petistas condenados. "Querem é que o PT sangre mais. O que eles querem é chegar na liderança máxima do PT, que é o Lula".

João Paulo também foi multado em R$ 370 mil. Seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral é de R$ 376 mil. Vive na mesma casa, em Osasco, há 21 anos. No momento, está lendo o romance "Barba ensopada de sangue", de Daniel Galera. A seguir, trechos da entrevista:

Mandato cassado

É bom a gente aguardar a sentença do Supremo para depois ver qual vai ser a posição da Câmara dos Deputados. É necessário aguardar o transitado em julgado. Fui eleito o deputado federal mais votado do PT de SP. Tive mais de 255 mil votos. Tenho cumprido com rigor o meu mandato.

Condenado com mandato

O [resultado do] julgamento significa do presente para o futuro. O voto obtido na última eleição foi na vida pretérita. Eu tenho 30 anos de mandato. Eu não tenho nenhum processo na minha vida. Não tenho um inquérito. Nunca fui acusado de nada. As minhas mãos são absolutamente limpas. Por que teria qualquer receio em representar o povo que me aceitou, que votou em mim? Eu tenho esperança de resolver porque é inaceitável, é inacreditável. É uma coisa quase surreal ser condenado de forma injusta. Eu afirmo isso. De forma injusta. É uma dor muito grande. É claro que eu vou cumprir a sentença. Não tenho receio disso. Mas vou lutar até as últimas consequências para provar que eu sou inocente e que é uma injustiça o que estão fazendo.

Sacco, Vanzetti e Dreyfus

Com base na lei fria você pode ser condenado. Agora, não significa que é justa a condenação. A história já conviveu com julgamentos e que depois se comprovaram erros judiciais. Nós tivemos no Brasil na década de 30 os irmãos Naves, que foram condenados à base de tortura, admitiram crimes. Nos EUA, Sacco e Vanzetti. Na França, o caso Dreyfus. Temos vários precedentes na história de erros judiciais.

TV Globo

É inaceitável da forma que foi feito. Não tem como o Judiciário julgar de forma isenta. Somente o Sistema Globo de Televisão, foram cinco horas de cobertura em agosto. Somadas as reportagens. TV Globo, aberta e fechada. Cinco horas. Só no meu caso, uma hora e 15 minutos. Não há juiz que resista a uma pressão dessa. Essa sociedade de espetáculo leva essas pessoas a ficarem com receio. Eu já estou condenado. Eu sofro há sete anos. Veja a crueldade do espetáculo. Não basta condenar. Não basta mandar ao ostracismo e ao limbo o sujeito. É quase uma pena de morte. Esse tipo de julgamento não é um julgamento isento.

Renúncia ao mandato

Eu já tive outras oportunidades de renunciar, todo mundo disse que eu ia renunciar. Não renunciei. Enfrentei as urnas. Fui o mais votado do PT de SP em 2006. Não vou renunciar porque eu não tenho culpa. E vou insistir até o final com essa mesma segurança que eu tenho de que eu não errei.

Preparação para a prisão

Não trabalho com essa hipótese. Vou lutar até o final. Primeiro, para provar inocência. Segundo, para não ser preso. A prisão é feita para quem merece. Eu não mereço. Eu tenho recursos ainda. Eu tenho embargo infringente, tenho embargos declaratórios.

Joaquim irresponsável

O ministro Joaquim Barbosa, no meu caso, não é que ele não teve prova. Eu produzi prova que me absolvia. E ele foi contra as provas. A ponto de, nos últimos dias, não só ter ido contra as provas, como tem sido irresponsável. De ter dito coisas, que não estão nos autos, da sua boca. O juiz não pode dizer quando não tem prova. Ele disse: 'Na residência oficial se negociava propina'. Onde está escrito? Qual o documento que embasa a fala do ministro Joaquim Barbosa?

[E a reunião com Marcos Valério na residência oficial da Presidência da Câmara?] Isso é o contrário. Ao invés de agravar, atenua. Porque, se fosse para falar de propina, eu pediria para ele me levar pessoalmente. Não precisaria depois eu mandar minha mulher ao banco e entregar o documento, tirar xerox, assinar.

Pegar esse dinheiro...
Saque de dinheiro

Na época, no calor da disputa, na circunstância da situação, você pede para a pessoa [tesoureiro do PT], que fala assim: 'Você pode buscar lá?' Eu vou recusar? Fui lá e peguei.

Querem chegar ao Lula

O PT já admitiu o crime do caixa dois. O problema é que parte da sociedade, parte da oposição e grande parte da mídia não admitem que o PT tenha assumido somente o crime de caixa dois. É insuficiente para parte da mídia e das elites brasileiras. O que eles querem é que o PT sangre mais. O que eles querem é chegar na liderança máxima do PT, que é o Lula.

O PT errou

O PT não decidiu partir para o crime. O que o PT fez foi entrar na prática tradicional dos partidos brasileiros. Então, foi um erro? Foi um erro.

Página virada

Para o PT, o mensalão é página virada. O PT tem que entrar no passo seguinte. Se reinventar. Descobrir e apresentar à sociedade novas bandeiras, novos sonhos e programas. Tem que dar um passo adiante. Deixar para trás o mensalão. O mensalão é problema de quem está no processo. Ponto. O PT é olhar para a frente, caminhar para a frente.

PT acuado

Teve um comportamento político nesse julgamento [do mensalão]. Diante disso, o PT fica acuado. O PT poderia puxar a sociedade. Mas aí fica um paradoxo. Se ele vai muito na frente, a sociedade fica muito atrás, ele perde a sociedade. Então ele tem que dar uma recuada. Uma parte dos meios de comunicação impede o Brasil de avançar.

Valério acusa Lula

Eu desconheço o que foi falado [que o mensalão financiou despesas pessoais de Lula]. Tomei conhecimento olhando o jornal. Prefiro não comentar. Pela demanda do presidente no primeiro mandato, é muito difícil que ele soubesse ou acompanhasse qualquer tratativa dessa natureza [empréstimos do mensalão]. Eu acho que o presidente não tinha qualquer conhecimento e não era obrigação dele acompanhar o desempenho do PT.

Suicídio e choro

Chorei muitas vezes. Muitas vezes mesmo. Porque quando você fica sozinho, você começa a perguntar 'por quê?'. Você extravasa de que jeito? Todo mundo pensa como saída a morte. Porque você vai fazer o quê? Passou pela minha cabeça, claro. Vendo as várias experiências no mundo, lendo um pouco como a gente lê. Sabendo o que acontece. Claro que você pensa em tudo.

FERNANDO RODRIGUES
DE SÃO PAULO
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

Silvio Santos completa nesta quarta (12) 82 anos de idade, saiba algumas curiosidades sobre o apresentador


Silvio Santos HD

O maior comunicador da TV Brasileira completa nesta quarta-feira (12)  82 anos de idade, Silvio Santos, é aclamado, conhecido e querido por milhares de telespectadores no Brasil. É sem sombra de dúvida, o maior artista atualmente na TV Brasileira e um dos mais admirados, se não o mais admirado.

Empresário, apresentador e pai de família, Silvio Santos passou por altos e baixos em sua vida, e hoje é dono de diversas empresas, como a Jequiti Comeséticos e o SBT uma das emissoras mais queridas do Brasil. Para chegar a onde chegou, Silvio teve que trabalhar duro, sua fortuna atualmente está avaliada em R$ 3 bilhões. Para quem não sabe, Silvio Santos foi camelo aos 14 anos no Rio de Janeiro e teve e tem papel primordial para a atual configuração da TV Brasileira.

 O animador:
apos-criticas-sobre-seus-fios-brancos-silvio-santos-resolveu-escurecer-os-cabelos-e-as-sobrancelhas-nesta-quarta-feira-o-dono-do-sbt-chegou-ao-salao-do-cabeleireiro-jassa-para-1332337205433_1024x768

Quando as luzes se acendem o Senor Abravanel sai de cena e quem entra no palco é o artista Silvio Santos. Um encanto pessoal o ilumina e sua autoconfiança é conquistada através do tempo e das experiências.
Suas primeiras apresentações em público foram no circo em que trabalhava como animador em São Paulo, além de ter a função de distrair a plateia, que esperava pelos artistas atrasados, ele tinha a missão de tirar o sorriso do rosto das pessoas.

Já no início da década de 60, Silvio começou a conquistar o carinho do público quando se apresentou pela primeira vez com o programa “Vamos Brincar de Forca?”, na TV Paulista.

Com o espaço conquistado dentro da telinha, Silvio lançou uma atração com o próprio nome: o “Programa Silvio Santos”. Os quadros principais eram: “Cuidado com a buzina”, “Só compra quem tem”, “Rainha por um dia”, “Partida de 100” e “Pergunte e Dance”. No programa marcaram presença figuras como o locutor Lombardi e o produtor Roque.

Em 1968, diversas atrações de sucesso foram criadas por Silvio: “Show de Loteria”, “Quem Sabe Mais” e “Boa Noite, Cinderela”. Essa época foi nomeada por Silvio Santos como “Domingo é dia de alegria”.

A partir de 1981, com o SBT, Silvio batalhou espaço na disputa pela audiência com outras emissoras, ganhando projeção com os programas “Qual é a Música”, “Porta da Esperança” e “Em Nome do Amor”.

No final da década de 90, o SBT exibiu uma das atrações de maior sucesso da história da TV, o game “Show do Milhão”.

Em 2001, Silvio Santos comandou um dos maiores fenômenos da televisão brasileira: o realty show Casa do Artistas.

O ano de 2008 também foi marcante para a história de Silvio Santos. O apresentador voltou a comandar o “Programa Silvio Santos” nos domingos do SBT. Atualmente, Silvio também apresenta o programa “Roda Roda Jequiti”.

Nesses mais de 50 anos de carreira, Silvio Santos participou, e ainda está presente, no crescimento e surgimento de diversas gerações, que acompanham a evolução do apresentador e se divertem com as brincadeiras de seus programas.

Domingo, diversão e televisão viraram sinônimos de Silvio Santos, o maior comunicador do Brasil.

Algumas curiosidades sobre o apresentador:

Gravações Silvio Santos

Você sabe qual o prato favorito de Silvio Santos, se ele tem algum animal de estimação e qual a roupa que ele mais gosta de usar no dia a dia? O site do SBT descobriu com pessoas próximas ao apresentador informações exclusivas sobre o maior astro da televisão brasileira. Confira:

Prato favorito
Silvio e Iris em momentos de folga

Silvio e Iris em momentos de folga
Silvio Santos come de tudo, mas ele ama sorvete. Chega a ser capaz de trocar uma refeição por uma taça.

Doce favorito
Silvio gosta de quase todos os doces, mas panetone, chocolate e nha benta estão entre os favoritos do apresentador.

Música favorita
A canção preferida de Silvio é “Eu sei que vou te amar”.

Cantores favoritos
Roberto Carlos e Julio Iglesias.

Livro preferido
Silvio Santos adora biografias em geral.

Quando não está trabalhando…
Ele adora assistir a filmes e ficar com a família

Bicho de estimação…

Silvio Santos brinca com seus cachorros
Silvio Santos tem nove cachorros: Gorda, Max, Farofa, Tito, Tita, Bolha, Orelhinha, Medroso, e Chuca. A Chuca é a mais velha e a favorita.

Quando Silvio estava na escola…
A matéria favorita dele era matemática.

Viagem Inesquecível
Uma das viagens favoritas de Silvio Santos foi à África do Sul.

Roupa do dia a dia
Camisa de manga curta, com bolso na frente, com calça ou bermuda são as roupas favoritas do apresentador.

Manias.
Silvio Santos gosta de manter uma rotina e é muito disciplinado.

Computador
Silvio usa a internet todos os dias e sabe fazer muitas coisas no computador. Além de ler e mandar e-mails, ele adora se divertir com joguinhos.

Cor favorita
Ele adora tudo bem alegre e colorido

Canhoto ou destro?
Destro

Jornais, revistas…
Silvio Santos lê o jornal “Folha de S. Paulo” todos os dias e a revista “Veja” aos fins de semana. Além de ser ouvinte fiel da Jovem Pan AM.

O domingo de Silvio Santos
Quando trabalha no domingo, Silvio mantém sua rotina normal. Ele faz exercícios matinais e depois vai ao Jassa. Se está de folga em casa, ele adora passar horas na mesa do café da manhã com a família. Nos fins de semana, Silvio sempre lê a revista “Veja”, além de assistir a um filme, brincar com os cachorros e se divertir com jogos no computador.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Comerciante de Teixeira que está se transferindo para a capital põe a venda comércio, casas e terrenos

Prédio do Magazine dos Importados
Mesmo não sendo a finalidade do Blog Passando a Limpo fazer qualquer tipo de propaganda comercial, em consideração a minha amiga e parente Marinês Martins e seu esposo professor Kika Rodrigues, fazemos, de forma gratuita, a divulgação abaixo:

A comerciante Marinês Martins comunica aos interessados que está repassando o comércio Magazine dos Importados, do qual é proprietária, por meio da venda de todas as mercadorias e locação do prédio, o qual  fica localizado na Rua Cônego Serrão, Centro, ao lado do Banco Brasil, na cidade de Teixeira, defronte a Escola Estadual Sebastião Guedes da Silva.

O Magazine dos Importados tem uma grande variedade de mercadorias e serviços, tais como: material escolar, material de escritório, papelaria, objetos de vidros e de plásticos, peças de artesanatos, plásticos em geral, plantas ornamentais, jarros, quadros, molduras, presentes, brinquedos infantis, serviços de impressão e encadernação, além de uma grande variedade de  utensílios domésticos.

Ela comunica, também, que tem terrenos e casas para vender na Rua José Ramalho Xavier, no centro de Teixeira - PB . Os interessados devem procurar Marinês Martins ou Kika de Manezinho Rodrigues pelos telefones 93026545 (Claro) ou 99455691(Tim).

Seguem, abaixo, as fotografias do Magazine dos Importados, das casas e dos terrenos:


Interior do Magazine
Interior do Magazine

Casa para vender
Casa para vender ou alugar
Terrenos para vender

Parcela repassada hoje dia 10/12 para a Prefeitura Municipal de Teixeira - PB



FPM - FUNDO DE PARTICIPACAO DOS MUNICIPIOS
DATA PARCELA VALOR DISTRIBUÍDO

10.12.2012 PARCELA DE IPI 87.029,42 C
PARCELA DE IR 358.713,82 C
RETENCAO PASEP 4.457,42 D
INSS - EMPRESA 105.682,17 D
INSS-JRS/MULTAS 7.401,31 D
INSS-PARC-ADM 44.489,11 D
DEDUCAO SAUDE 66.861,48 D
DEDUCAO FUNDEB 89.148,64 D
TOTAL: 127.703,11 C

TOTAIS PARCELA DE IPI 87.029,42 C
PARCELA DE IR 358.713,82 C
RETENCAO PASEP 4.457,42 D
INSS - EMPRESA 105.682,17 D
INSS-JRS/MULTAS 7.401,31 D
INSS-PARC-ADM 44.489,11 D
DEDUCAO SAUDE 66.861,48 D
DEDUCAO FUNDEB 89.148,64 D

DEBITO FUNDO 318.040,13 D
CREDITO FUNDO 445.743,24 C 

Thércio Rocha

Lula já vê Eduardo Campos como rival de Dilma



Político movido a intuição, Lula diz já não ter dúvidas quanto aos planos políticos de Eduardo Campos. Em privado, afirma que o governador de Pernambuco e presidente do PSB aparelha-se para disputar a Presidência da República em 2014. Não crê que o quase-ex-aliado vá vencer a eleição. Mas acha que a entrada dele no jogo torna a campanha reeleitoral de Dilma Rousseff mais complexa.

Por quê? Guiando-se pela lógica, Lula acha que Eduardo vai roubar votos de Dilma no Nordeste. Com isso, terminará beneficiando indiretamente o tucano Aécio Neves, um político que o eleitor nordestino mal conhece. Curiosamente, Eduardo deve a Lula, em grande medida, a boa avaliação do seu governo. Sob as presidências de Lula, Pernambuco recebeu verbas federais em profusão.

A cena atual tem um quê de paradoxal. Na sucessão de 2010, Eduardo ajudou Lula a enxugar o tabuleiro. Juntos, passaram no rodo a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB-CE). Agora, inverteram-se os papéis. Ciro defende a reeleição de Dilma. Com a maioria do partido do seu lado, Eduardo finge que não ouve.

Josias de Souza

domingo, 9 de dezembro de 2012

Engolindo com os olhos


De uma coisa não se pode acusar Dilma: de hipocrisia. É flagrante, é torrencial, é irreprimível o mal estar que a figura de Joaquim Barbosa provoca nela, como mostra a foto que o fotógrafo Gustavo Miranda, da Agência Globo, captou no velório de Oscar Niemeyer.

É o olhar de alguém que está oscilando entre o desprezo e o ódio, e que provavelmente se tenha visto na contingência de calar o que sente.

Que detalhes conhecerá Dilma das andanças de Barbosa por apoio político para ser nomeado para o STF? Ou será que ela não perdoa o que julga ser deslealdade e ingratidão de JB perante o homem a quem ambos devem o cargo, Lula?

Interessante examinar o rosto de JB no encontro. Ali está um sorriso de quem espera aprovação, compreensão, atenção – ou pelo menos um sorriso de volta, ainda que protocolar e falso.

Mas não.

O que ele recebe de volta é um olhar glacial, uma mensagem clara da baixa opinião de Dilma sobre ele. Parece estar acima das forças de Dilma fingir que não sente o que sente, ainda que por frações de segundo. A fotografia não vai para o álbum de lembranças de nenhum dos dois.

A franqueza por vezes desconcertante é uma característica de quem, como ela, não fez carreira na política. Fosse uma política, esta foto não existiria, não pelo menos deste jeito singular, e seria uma pena porque esta é uma das imagens que decerto marcarão a República sob Dilma, de um lado, e Barbosa, de outro.

Tião Lucena

Danuza Leão: Quem ama mata ou morre

Danuza Leão

O amor é maravilhoso, não é? É, responde o mundo em coro. Mas por que será que as pessoas mudam tanto quando apaixonadas? Os mais boêmios, que passavam as madrugadas contando histórias idiotas, mas muito divertidas, que tinham sempre uma opinião diferente e original sobre os assuntos do dia, tornam-se austeros -e a bem da verdade, bem menos interessantes.

O "affair" do diretor do FMI, por exemplo: qualquer homem, em companhia de seus íntimos, dirá que, se a camareira fosse gostosa, faria a mesma coisa. Única ressalva: negaria até o fim, mesmo diante da Suprema Corte. Mas, se estiver ao lado da namorada, vai dizer que esse tipo de procedimento é indigno e que um homem que se respeita não pode, jamais, fazer nada de parecido. Quanto a elas --bem, se eles são assim, por que elas seriam diferentes?

Num almoço só de mulheres, depois da segunda caipirinha, algumas serão suficientemente francas para dizer que adoram homens atrevidos e ousados. Mas ponha essas mesmas mulheres ao lado dos maridos e pasme diante do que elas vão dizer, dele e da pobre camareira.

Um homem ao lado da mulher que ama é outra pessoa, alguém que nem mesmo sua própria mãe é capaz de reconhecer; ele é capaz de dizer que não acha a menor graça em mulher alguma, que quem ama é fiel e que para ele só existem duas coisas que realmente importam: ela --em primeiro lugar-- e o time pelo qual torce.

Se você encontrar esse mesmo homem almoçando com três amigos no centro da cidade, traçando uma linguicinha com um chope, vai descobrir que se trata de outra pessoa, só pelo som das gargalhadas. E, se passar uma bela morena com as pernas de fora, será um belo festival de baixarias.

Se você tiver uma única e grande amiga e ela se apaixonar, fique sabendo que ficou sozinha no mundo. Fazer uma refeição com um casal apaixonado está acima das forças de qualquer ser humano não apaixonado, pois o mundo deles é diferente, e nele não há lugar para pessoas normais.

Quem ama se transforma em outra pessoa, com outros gostos e outras opiniões, capaz de roubar a aliança da própria mãe para passar um fim de semana no Caribe com o ser amado, isto é: torna-se uma pessoa indigna de nossa confiança.

Aquela mulher que, quando entrava na discoteca, começava a mexer o corpo, hoje em dia fica paralisada, surda e muda, talvez pelas lembranças que a música traz -ah, como são coerentes, as mulheres. Só que ele se apaixonou por ela exatamente quando ela mexia não só o corpo, como o gelo do copo de uísque com o dedo, e agora, quando olha para aquela mulher austera, não entende por que a vida era tão melhor.

Você já foi a um show de striptease com seu amado? Bem, quando o romance começou, ele brincava e atiçava seu ciúme com elogios às gostosas no palco; agora, quando vê uma mulher pelada numa revista, olha sério, sem uma só expressão no rosto, como se estivesse vendo um quadro num museu.
Ele virou um marido, tudo que você sempre quis, e por nada no mundo você faria um strip particular só para ele, como já fez; certas coisas não são para serem feitas com o marido.

Tente ir com ele a uma praia da Europa, daquelas em que as mulheres tiram muito naturalmente o sutiã para tomar sol. Nervoso ele vai ficar --ah, isso vai. Faça então uma experiência e diga que vai tirar o seu: um homem das cavernas vai surgir de dentro daquele que passava a mão nas suas pernas no carro, no meio do trânsito, com o ar mais sério do mundo.

Onde foi parar esse homem? Onde foi parar aquela mulher que vivia feliz e risonha, que não queria nada da vida a não ser ficar junto com ele, agarrada, apaixonada? Quem ama não mata? Mata, sim; ou mata o outro, ou mata a si próprio --e o fim dessa história a gente conhece.

sábado, 8 de dezembro de 2012

“Velha não estou e superada jamais”, diz prefeita reeleita de Araruna/PB

Wilma Maranhão prefeita reeleita de Araruna
Os destinos políticos da cidade de Araruna, no curimataú paraibano, a partir de 2013 serão administrados pela  Wilma Maranhão, ou melhor, continuarão sendo administrados já que a  Wilma foi reeleita no pleito passado de outubro. 

Na tarde da última quinta-feira (06), durante entrevista ao radialista Junior Campos da Rádio Talismã FM de Belém, por ocasião de sua diplomação, Wilma Maranhão soltou uma frase no mínimo emblemática, certamente em resposta a seus opositores: “velha não estou e superada jamais”, verbalizou a Prefeita em tom irônico.

O fato é que Wilma tornou-se peça fundamental na política de Araruna desde o ano de 1976 quando ganhou a sua primeira eleição como Prefeita daquele município. Nessa época as mulheres não tinham tanta ascensão política como atualmente.

De lá para cá, Wilma Maranhão passou a comandar pessoalmente o grupo político se tornando o principal expoente do ‘maranhismo” na cidade de Araruna. Nenhuma mulher na história da cidade teve tanto poder quanto  Wilma.

O poder de Wilma estrapolou as barreiras de Araruna e a passos largos chegou a toda a Paraíba. Quando seu irmão José Maranhão foi governador pela primeira vez, dizem que Wilma Maranhão dava as cartas de Cabedelo a Cajazeiras e não ousassem descumprir uma ordem da Doutora.
Família Maranhão: Zé, Wilma, Olenka e Benjamim
Voltando a Araruna,  depois de seu primeiro mandato que terminou em 1982, voltou a governar a cidade de 1989 à 1992, 2009 à 2012 e vai para um novo mandato que se estenderá até 2016.

Mas, o poderio se estendeu além dos mandatos que assumiu. Ela conseguiu eleger todos os seus apadrinhados políticos ao cargo de prefeito. Foi assim com Celeste Torres que recebeu seu apoio na eleição de 1982; outro que se elegeu com o apoio da Doutora foi Nivaldo Isidro na eleição de 1992; logo depois foi a eleição do filho o atual deputado federal Benjamim Maranhão em 1996 que se repetiu em 2000 quando o mesmo foi reeleito.

Em 2002, o então Prefeito Benjamim Maranhão renunciou ao mandato para concorrer ao cargo de Deputado Federal pelo PMDB com o apoio da Dra. Wilma, mas quem assumiu a Prefeitura foi uma aliada e prima de Wilma, a Dra. Maura Targino que concluiu o mandato até 2004.

No ano de 2004 ela  indicou o radialista Availdo Azevedo como seu candidato a Prefeito e venceu as eleições, que em 2008 abriu mão da reeleição para a própria Wilma.

Desde 1976 quando venceu a primeira eleição em Araruna, a  Wilma Maranhão nunca teve seu poderio político ameaçado, até que em 2010 o seu até então aliado, ex-prefeito Availdo resolveu romper com a prefeita. A partir daí após esses longos anos surgiu a possibilidade de defenestrar a doutora do poder ararunense.

Mas, como na busca pelo poder a vaidade pessoal pesa mais do que o interesse coletivo, a oposição se dividiu e lançou dois candidatos, favorecendo eleitoralmente a Prefeita que venceu a eleição.

Wilma Targino Maranhão, é viúva, tem 69 anos de idade, bacharel em Direito, graduada em contabilidade, já trabalhou como oficiala do registro civil, foi presidenta do Centro de Apoio da Criança e do Adolescente da Paraíba (CENDAC), e prefeita de Araruna por três mandatos eleita em 1976, 1988, 2008 e agora reeleita para o quarto mandato em 2012, recebendo mais uma vez a confiança do povo de Araruna nesta eleição.

Do Expresso PB

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Professor Djalma Batista é recebido em audiência pelo reitor da UFCG

Djalma Batista Guedes Junior
Professor Djalma Batista
O Professor Djalma Batista Guedes Júnior foi recebido em audiência,  na última terça-feira (04), pelo Magnífico Reitor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Thompson Fernandes Mariz.

Segundo Djalma Batista,  o encontro aconteceu no  gabinete do reitor e teve como objetivo discutir a instalação do Polo Universitário no município de Teixeira, cuja documentação já se encontra protocolada desde  2010 no Ministério da Educação em Brasília. 


Durante a conversa, o  reitor informou ao professor Djalma que uma equipe da universidade irá, nos próximos dias, elaborar um projeto que possibilite a substituição do polo universitário por um Instituto Federal de Educação para o nosso município. Thompson afirmou que além de Teixeira serão elaborados projetos semelhantes para as cidades  de Taperoá e São João do Rio de Peixe (terra natal do reitor).

O Reitor fez questão de salientar que a politica da presidenta Dilma Roussef está priorizando a instalação dos Institutos Federais da Educação nas pequenas cidades e, por conta disso, Teixeira tem grande possibilidade de ser contemplada com essa importante instituição de ensino. 

O professor Djalma saiu muito otimista da audiência. “A vantagem do Instituto Federal de Educação é que ele oferece tanto cursos técnicos como superiores e os alunos, egressos do referido estabelecimento de Ensino, saem bem preparados, sendo  absorvidos rapidamente pelo mercado de trabalho em seus diversos setores", declarou o ex-parlamentar.

Oscar Niemeyer morre aos 104 anos


Oscar Niemeyer, principal nome da arquitetura no Brasil, morreu pouco antes das 22h desta quarta (5), aos 104 anos, no Rio. Ele estava ao lado da mulher, Vera Lúcia, 67, de sobrinhos e de netos no momento da morte. Cerca de dez pessoas o acompanhavam em seu quarto.

Niemeyer esteve lúcido até manhã de quarta, quando houve piora em seu quadro de infecção respiratória e ele precisou ser sedado e entubado.

O arquiteto carioca, que completaria 105 anos em 15 de dezembro, deu entrada no hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, em 2 de novembro, a princípio para tratar de uma desidratação, em sua terceira internação no ano. Mais tarde, porém, Niemeyer apresentou hemorragia digestiva e houve piora em sua função renal. Na terça-feira (4), uma infecção respiratória levou a uma piora no estado clínico de Niemeyer. Na manhã desta quarta, o arquiteto sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Em outubro, ele havia ficado duas semanas no hospital também por causa de uma desidratação. Em maio, o arquiteto teve pneumonia e chegou a ficar internado na UTI. Recebeu alta depois de 16 dias. Em abril de 2011, foi submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino. Na ocasião, ele ficou internado por 12 dias por causa de uma infecção urinária.

VELÓRIO E ENTERRO

O corpo do arquiteto será velado no Palácio do Planalto, em Brasília. A presidente Dilma Rousseff ofereceu o palácio, o que foi aceito pela família.

O corpo será levado na manhã desta quinta (6) para a capital federal e retorna no fim do dia ao Rio, onde acontecerá uma cerimônia restrita a família e amigos no Palácio da Cidade, em Botafogo, sede da Prefeitura do Rio. Na manhã de sexta (7), o espaço deverá ser aberto ao público. O enterro ocorre na tarde de sexta, no cemitério São João Batista, também em Botafogo.

TRAJETÓRIA

Nascido no bairro de Laranjeiras, no Rio, Oscar Niemeyer se formou em arquitetura e engenharia na Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Em seguida, trabalhou no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde integrou a equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde.

Por indicação de Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou, no início dos anos 1940, o Conjunto da Pampulha, que se tornaria uma de suas obras brasileiras mais conhecidas.

Em 1945, o arquiteto ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros políticos. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes socialistas ao redor do planeta, viajando constantemente à União Soviética --conjunto de países comunistas liderado pela Rússia-- e a Cuba.

Em 1947, Niemeyer fez parte da comissão de arquitetos que definiria o projeto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. A proposta elaborada por Niemeyer com o franco-suíço Le Corbusier serviu de base para a construção do prédio, inaugurado em 1952.

Durante os anos 50, projetou obras como o edifício Copan e o parque Ibirapuera, ambos em São Paulo, além de comandar o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap, responsável pela construção de Brasília.

Ao lado de Lúcio Costa, ajudou a dar forma à nova capital, concebendo edifícios como o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional.

Inaugurada em abril de 1960, Brasília transformou a paisagem natural do Brasil central em um dos marcos da arquitetura moderna.

Algumas obras nacionais de Oscar Niemeyer

O Congresso Nacional
Prédio da Estação Ciência, em João Pessoa (PB)
A Catedral Metropolitana de Brasília
Memorial da América Latina, em São Paulo
Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba

O Congresso Nacional

Impedido de trabalhar no Brasil pela ditadura militar, Niemeyer se mudou em 1966 para Paris, onde abriu um escritório de arquitetura. Projetou a sede do Partido Comunista Francês, fez o Centro Cultural Le Havre, atualmente Le Volcan, realizou obras na Argélia, na Itália e em Portugal.

Após a anistia, retornou ao Brasil, no início dos anos 1980. No Rio, projetou os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública, apelidados de "brizolões") e o Sambódromo, durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Estado (1983-1987).

Em 1988, Niemeyer se tornou o primeiro brasileiro vencedor do prêmio Pritzker --o Oscar da arquitetura. Depois dele, Paulo Mendes da Rocha recebeu a honraria, em 2006. Ainda em 1988, Niemeyer elaborou o projeto do Memorial da América Latina, em São Paulo.

Nos anos 1990 e 2000, a produção de Niemeyer continuou em alta, com a inauguração do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Auditório Ibirapuera, dentro do parque, em São Paulo.

Em 2003, exibiu sua versão de um pavilhão de exposições na tradicional galeria londrina Serpentine --que todo ano constrói um anexo temporário.

Em 2007, projetou o Centro Cultural de Avilés, sua primeira obra na Espanha, construída durante três anos ao custo de R$ 100 milhões. Inaugurado em março de 2011, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer foi fechado após nove meses, em meio ao agravamento da crise econômica, desentendimentos entre o governo local e a administração do complexo no dia do aniversário de 104 anos de Niemeyer. Em meados de 2012, no entanto, o centro foi reaberto.

Mais de 60 anos após a realização do Conjunto da Pampulha, o arquiteto voltou a assinar um projeto de grande porte em Minas Gerais em 2010, com a inauguração da Cidade Administrativa do governo do Estado, na Grande Belo Horizonte.

Atualmente, em Santos, está em execução o projeto de Niemeyer para o museu Pelé. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2012.

Além de Vera, com quem se casou em 2006, Niemeyer deixa quatro trinetos, 13 bisnetos e quatro netos, filhos de Anna Maria --sua única filha, morta em junho deste ano aos 82--, fruto de seu casamento com Anita Baldo, de quem ficou viúvo em 2004.

Folha de São Paulo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Conversando com Fernando Henrique Cardoso

Marcos Coimbra
É enternecedor o carinho de nossa grande imprensa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sempre que o entrevistam, é uma conversa amena. Percebe-se a alegria dos jornalistas em estar na sua presença.

O tom é cordial, as perguntas são tranquilas. Tudo flui na camaradaria.

O que não chega a ser surpreendente. FHC é um boa prosa, que sabe agradar os interlocutores. Além de ser uma pessoa respeitável, seja pela trajetória de vida, seja por sua maturidade.

Natural que o tratem com consideração.

Estranho é constatar que a amabilidade com que é recebido não se estende a seu sucessor. A mesma imprensa que o compreende tão bem costuma ser intransigente com Lula. Para não dizer francamente hostil e deselegante.

Quem lê o que ela tem falado a respeito do petista nos últimos dias e o compara ao tratamento que recebe Fernando Henrique deve achar que um deixou a Presidência escorraçado e o outro sob aplauso. Que a população odeia Lula e adora o tucano.

Esta semana, tivemos mais um desses bate-papos. Saiu na Folha de São Paulo.

FHC discorreu sobre o Brasil e o mundo. Falou do PSDB, de Aécio e Serra. Meditou sobre o julgamento do mensalão com a sabedoria de quem o vê a prudente distância. Opinou sobre Dilma e Lula. Contou de sua vida particular, a família e os amores.

Foi uma longa conversa, sóbria e comedida - embora com toques de emoção.

Mas foi frustrante. Acabou sendo mais uma oportunidade perdida para ouvir FHC sobre algumas questões que permanecem sem resposta a respeito de seu governo.

É pena. Não está na moda “passar o Brasil a limpo”? “Mudar o Brasil”? “Ser firmes e intransigentes com a verdade”?

Ninguém deseja que Fernando Henrique seja destratado, hostilizado com perguntas aborrecidas e impertinentes. Que o agridam.

Um dia, no entanto, bem que alguém poderia pedir, com toda educação, que falasse.

Que contasse sua experiência como líder do governo Sarney no Congresso, quando viu (só viu?) mais de mil concessões de televisão e rádio fazer parte das negociações em troca de apoio parlamentar.

Que descrevesse o projeto do PSDB permanecer no poder por 20 anos e como seria posto em prática, quais as alianças e como seria azeitado (sem esquecer a distribuição, sem licitação, de quase 400 concessões de TVs educativas a políticos de sua base).

Que relembrasse os entendimentos de seu operador com o baixo clero da Câmara para aprovar a emenda da reeleição. Quanto usou de argumentos. E o que teve que fazer para que nenhuma CPI sobre o assunto fosse instalada.

Que apontasse os critérios que adotou para indicar integrantes dos tribunais superiores e nomear o Procurador-Geral da República. Que explicasse como atravessou 8 anos de relações com o Judiciário em céu de brigadeiro.

Que refletisse sobre o significado de seus principais assessores econômicos tornarem-se milionários imediatamente após sair do governo - coisa que, se acontecesse com um petista, seria razão para um terremoto.

Enfim, FHC poderia em muito ajudar os amigos. Esses que fingem ter nascido ontem e se dizem empenhados em “limpar” a política.

Bastaria que resolvesse falar com clareza.

No mínimo, diminuiria a taxa de hipocrisia no debate atual e reduziria o papo furado. O que é sempre bom.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

O Globo